Manual de protocolos de atuação na urgência

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A abordagem e o tratamento do doente com uma situação aguda (urgen- te e/ou emergente) constitui um desafio complexo que decorre habitual- mente em ambiente de elevada pressão assistencial, como são exemplo disso os serviços de urgência dos hospitais. A urgência do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) está organizada em três polos distintos: • Urgência Central (Urgência Polivalente com Centro de Trauma e cons- titui um dos polos da Urgência Metropolitana de Lisboa da ARS Lisboa e Vale do Tejo); • Urgência de Pediatria;
• Urgência de Ginecologia-Obstetrícia. Tem uma área de influência direta que é atualmente de 320.000 habitan- tes com uma afluência média diária de 500 doentes. Nos dias úteis da semana, tem uma Equipa Médica Dedicada das 08h-20h com um “sta- ff” próprio que não inclui internos. O SUC do CHLN, tem a Versão 2 do Protocolo de Triagem de Manchester verificando-se que 50% dos doen- tes atendidos diariamente têm prioridade não urgente (verde e/ou azul), 38,7% são doentes com prioridade urgente (amarela), 8,7% têm prioridade de muito urgente (laranja) e 0,4% são doentes emergentes (vermelho). Das 20h-08h e aos fins-de-semana e feriados fazem Serviço de Urgên- cia as chamadas Equipas Rotativas que são constituídas por Assistentes Hospitalares de Medicina Interna, Endocrinologia, Imunoalergologia e In- fecciologia e por Internos de várias áreas de formação específica essen- cialmente dos primeiros anos de formação que constituem o grupo mais numeroso de médicos dessas equipas. É sobretudo para este grupo de médicos que se dirige o presente livro que tem por objetivo principal construir algoritmos de diagnóstico e de abordagem terapêutica inicial nas situações de urgência e/ou emergência médico-cirúrgicas mais frequentes, abarcando um largo espectro de patologias e tendo em conta a realidade do nosso hospital. Decidimos convidar um interno e um especialista de cada uma das áreas específicas de patologias previamente selecionadas para colaborarem na elaboração dos protocolos tendo em conta a mais valia curricular da sua participação. Assim sendo, penso que este livro de protocolos pode ser uma ferramen- ta útil na gestão diária do doente urgente. Os protocolos destinam-se a ser normas de orientação e não regras rígi- das a serem seguidas incondicionalmente; o intuito é o de abordar de for- ma homogénea um leque representativo de patologias num SU, caben- do sempre a decisão terapêutica final ao médico que assiste o doente. Tratou-se de um trabalho multidisciplinar que contou com o entusias- mo dos internos e especialistas de tal forma que houve necessidade de acrescentar mais protocolos para além dos que inicialmente estavam previstos. Não se trata de uma obra acabada, mas sim aberta a permanentes contri- butos teórico-práticos que diariamente enriquecem e alargam o campo de conhecimentos em Medicina de Urgência/Emergência permitindo o constante aperfeiçoamento do seu exercício.